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| Curling |
| Entenda a física do esporte sensação das Olimpíadas de inverno. |
| Entre os dias 12 e 28 de fevereiro pudemos acompanhar pela TV os Jogos Olímpícos de Inverno 2010 diretamente de Vancouver, no Canadá. E, sem dúvidas, um dos esportes que mais chamou a atenção de todos foi o Curling, uma mistura de boliche com bocha e bilhar disputada sobre uma pista plana de gelo. Jogadores muito concentrados, com fisionomia de quem está jogando xadrez, mas arremessando pedras de granito bem pesadas (o que lembra o boliche) que devem acertar um alvo a cerca de 45m de distância (o que lembra o jogo de bocha). E vale colisão com as pedras do adversário para jogá-las fora do alvo (o que lembra o bilhar). E o mais divertido do Curling: até certo ponto a caminho do alvo, um ou dois jogadores podem "varrer" freneticamente o gelo com vassourinhas. A varrição é feita à frente da pedra para alterar o coeficiente de atrito, controlando assim a distância por ela percorrida. Ou é realizada lateralmente, o que possíbilita alterar a curvatura da trajetória. Mas qual o processo por trás disso? Varrer freneticamente o gelo provoca aquecimento do mesmo, que derrete, criando uma camadinha de água líguida que diminui o coeficiente de atrito cinético entre a pedra de granito e a pista de gelo. Diminuindo o coeficiente de atrito, a pedra alcança uma distância maior antes de parar. No Curling, inicialmente o lançador faz força sobre a bola, praticamente carregando-a enquanto desliza sobre o gelo numa posição característica de lançamento. Depois de arremessada a velocidade da bola só pode diminuir por causa do atrito que vai minando a energia cinética do sistema. Não existe mais nenhuma força a favor do movimento que possa fazer a pedra ganhar velocidade (ou energia cinética). No máximo a varrição alonga a trajetória da pedra, fazendo-a parar mais adiante. A pedra não ganha velocidade, apenas perde velocidade numa taxa menor até parar mais longe. A varrição lateral pode modificar a trajetória da pedra. Neste caso podemos dizer que há uma aceleração centrípeta (para dentro da curva) provocada pelo atrito diferencial nos bordos da pedra o que modifica a interação gelo-granito. Note bem que isso só ocorre porque a pedra não é um ponto-material e sim um corpo extenso. Concluímos que a varrição pode até modificar a direção e o sentido do vetor velocidade mas jamais aumentar o módulo (ou intensidade) do vetor velocidade. |